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domingo, 21 de julho de 2013

É no asfalto que me falto...


É no asfalto que me falto,
não me farto.

Sou da terra batida,
rachada, ressequida...
plantas rasteiras irrompendo,
vazando céu acima...
Afrontando a morte.

É no asfalto que me falto,
não me farto.

Sou da terra úmida,
lamacenta, intumescida...
lodos entranhando por sob e sobre os dedos dos pés,
vazando céu acima...
Afrontando a morte.

É no asfalto que me falto,
não me farto.

Sou protopedras portuguesas,
o silêncio dos arrecifes 
em meio ao alarido das ondas...
Corpo que se cobre com a virgem terra
de meus ancestrais,
Vazando céu acima...
Afrontando a morte.

É no asfalto que me falto,
não me farto...


DiAfonso


3 comentários:

Zatonio Lahud disse...

Beleza de poema. Um "soco" em nossa alma por vezes inerte.

Diógenes Afonso disse...

Grato pelo comentário, cumpadi Zatonio!

abs

Luiz Eurico disse...

Eita que o Poeta voltou! Vamos que vamos!

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